Andrea Machado

Pinceladas sobre Arte e o que mais faz girar o mundo de gente que gira o planeta.

Em nome dos Artistas

Embora seja possível dividir Em nome dos artistas em capítulos diferentes, ainda assim existem elos evidentes entre eles.
- Gunnar B. Kvaran

Em meio a um mercado internacionalizado, formando cenas onde questões sociais como política, religião e o comportamento da sociedade moderna massificada pela indústria cultural a partir da década de 1960, fez-se surgir o pensamento dos Artistas voltados para a Arte Contemporânea.

Alguns deles reproduzem suas obras como as veem, destruindo o seu valor real e trazendo à tona o subjetivo, transformando o consumo em Arte. Outros colocam a vida e a morte lado a lado, deixando para o observador o trabalho de refletir e julgar sobre os efeitos dessa sociedade construída e moldada pela mídia, fazendo desaparecer o autor de cada história ou transformam em esculturas objetos sem valor e fora do contexto social, cujo intuito é mostrar que o belo pode fazer parte do feio e destruído.

Esta arte pode ser criada de várias formas e trazer em seu conteúdo desde a prata à merda

do pombo; do bronze à fotografia de atos sexuais banais; de um cinzeiro às tripas de um animal ou simplesmente do início do mundo, onde Adão e Eva deixam o paraíso para viver o início, meio e fim.

Foi pensando nos 60 anos de Bienal, com toda uma carga de produção brasileira de arte, que Heitor Martins, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, trouxe para o Brasil o recorte da Coleção Astrup Fearnley, composto de 219 obras, que pela primeira vez deixa a Escandinávia e cruza o Atlântico de Norte a Sul com destino aos salões de Niemeyer para dar início ao ciclo de festividade, com a exposição entitulada “Em nome dos Artistas".

A Coleção Astrup Fearnley não se refere a períodos históricos ou movimentos artísticos, mas em artistas que acrescentaram novos valores na arte. "Nela, o artista é o foco e é ele quem faz a diferença", conta Gunnar Kvaran, curador da mostra e diretor do Astrup Fearnley

Museum of Modern Art.

Entre os 51 artistas que participam da exposição encontraremos Damien Hirst, nascido em Bristol no ano de 1965, que apresenta em suas obras a polêmica entre a vida e a morte, a sociedade de consumo, a manipulação e tudo aquilo que provoque as estruturas sociais, políticas, culturais e psicológicas do ser humano; e Jeff Koons, nascido em Nova Iorque no ano de 1955, que usa da arte para falar da própria arte, buscando elementos do cotidiano das pessoas e de sí próprio para questionar os paradigmas, dogmas e os valores impostos pelo mercado de arte. Ambos influenciaram uma geração de jovens artistas, inclusive os que estão nesta exposição.

Programe-se e vá visitar a mostra que ocupa os três andares da Bienal de São Paulo. Eu recomendo, ela está imperdível...

 

Damien Hirst, Adao e Eva, 2004
Damien Hirst, Adao e Eva, 2004.
Damien Hirst, cancer de pele, 2006
Damien Hirst, cancer de pele, 2006.
Jeff Koons, Saint Benedict, 2000.
Jeff Koons, Saint Benedict, 2000.
Jeff Koons, Titi, 2009
Jeff Koons, Titi, 2009.
Jeff Koons, New 100's! Merit Ultra Lights
Jeff Koons, New 100's! Merit Ultra Lights.
Jeff Koons, The Hook, 2003
Jeff Koons, The Hook, 2003.
Paul Chan, sem titulo, 2005
Paul Chan, sem titulo, 2005.
Kori Newkirk, sem titulo, 2002
Kori Newkirk, sem titulo, 2002.
Charles Ray Male, Mannequin, 1990
Charles Ray Male, Mannequin, 1990.
Cindy Sherman, sem título, 1989
Cindy Sherman, sem título, 1989.
Richard Prince, Spiritual America-Brooke Shields, 1983
Richard Prince, Spiritual America-Brooke Shields, 1983.
Robert Gober, sem título, 1993-1994.
Richard Gober, sem título, 1993-1994.
Louise Lawler, Michael, 2001
Louise Lawler, Michael, 2001.
Matthew Barney, The Cabinet of Harry Houdini, 1999
Matthew Barney, The Cabinet of Harry Houdini, 1999.
Tom Sachs, LAV A2, 1999-1999
Tom Sachs, LAV A2, 1999-1999.
Rirkrit Tiravanija in the future everything will be chrome, 2003
Rirkrit Tiravanija in the future everything will be chrome, 2003.

Artistas:

Aaron Young
Adam Putnam
Anthony Burdin
Charles Ray
Christian Holstad
Christopher Wool
Cindy Sherman
Corin Hewitt
Cristina Lei Rodriguez
Damien Hirst
Dan Colen
Doug Aitken
Edgar Arceneaux
Felix Gonzalez-Torres
Frank Benson
Gardar Eide Einarsson
Gedi Sibony

Guyton\Walker
Hannah Greely
Jason Dodge
Jason Meadows
Jason Rhoades
Jeff Koons
Jim Drain
Josh Smith
Karl Haendel
Kori Newkirk
Lizzi Bougatsos
Louise Lawler
Mario Ybarra Jr.
Matt Johnson
Matthew Barney
Matthew Brannon
Matthew Day Jackson

Matthew Ronay
Mika Rottenberg
Mike Bouchet
Nan Goldin
Nate Lowman
Paul Chan
Rachel Harrison
Richard Prince
Rirkrit Tiravanija
Robert Gober
Seth Price
Sherrie Levine
Shirin Neshat
Taft Green
Terence Koh
Trisha Donnelly
Tom Sachs

Serviço:
Exposição: Em nome dos artistas - Arte contemporânea norte-americana na Coleção Astrup Fearnley
De 30 de setembro até 04 de dezembro de 2011.
Visitação: terça, quarta, sexta, sábado e domingo das 9 às 19h (entrada até 18h) / quinta das 9 às 22h (entrada até 21h). Segunda é fechado.
Ingressos: R$ 20,00 - inteira / R$ 10,00 - meia para estudantes, professores e aposentados.
Cortesia para visitantes menores de 12 anos e maiores de 60 anos, portadores de deficiências físicas, escolas e grupos agendados.
Aos domingos a entrada é gratuita para todos.

Agende uma visita orientada por profissionais:
telefone 11 3883.9090

Os visitantes da exposição contarão com apoio do Programa Educativo da Bienal, que preparou estudantes universitários para conduzir as visitas orientadas durante a exposição. Foram 3 meses de cursos de arte contemporânea, história da arte americana, o acervo do Museu de Arte Moderna Astrup Fearnley, os artistas da exposição, entre outras formações.

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1 Comentário(s)
Anonymous Rodolfo
Muito bacana a matéria e o blog. Vou acrescentar ao meus favoritos e acompanhar.
Projetado e desenvolvido por: Mario Sergio Machado.